Depressão e a Dor Crônica

Os conceitos sobre dor sofreram profundas modificações em torno das décadas de 50 e 60. Incluíram-se, no universo de facetas que configuram a sensação dolorosa, além dos aspectos físicos, os culturais e emocionais.

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A Sociedade Internacional para Estudo da Dor, em 1979, conceituou dor como "uma experiência sensorial e emocional desagradável que é descrita em termos de lesões teciduais, reais ou potenciais. A dor é sempre subjetiva e cada indivíduo aprende a utilizar este termo através de suas experiências traumáticas". 

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A dor relacionada ao câncer acomete entre 50% a 70% dos doentes em todos os estágios da doença e em torno de 70% a 90% daqueles com doença oncológica avançada8 O fenômeno doloroso resulta da interpretação do aspecto físico-químico do estímulo nocivo e da inte ração deste com características individuais como humor, significado simbólico atribuído ao fenômeno sensitivo e aspectos culturais e afetivos dos indivíduos.

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A Organização Mundial de Saúde propôs método para o alívio da dor do câncer. Diversos estudos comprovam a eficácia do programa proposto e outros relatam a inadequação do controle da dor em países desenvolvidos e subdesenvolvidos. fr

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As causas do insuficiente alívio da dor advêm de falhas na formação dos profissionais de saúde na área de analgesia; da apreciação inadequada ou negligência para com o problema da dor, do incorreto uso das terapias analgésicas e de falhas no modelo teórico da dor oncológica e de seu tratamento. Há, provavelmente, aspectos, além dos biológicos, como os culturais e afetivos, envolvidos na vivência e expressão da dor que, talvez, sejam negligenciados. As emoções mais comumente associadas à dor crônica são depressão e ansiedade.  

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Depressão é o diagnóstico psiquiátrico mais comum em doentes com afecções clínico-cirúrgicas. E freqüentemente não identificada e não tratada27. E um quadro prevalente em 4% a 5% da população geral. Nos doentes com dor crônica a prevalência da depressão varia entre 22% e 78% segundo alguns autores e, de acordo com outros24, entre 10% e 30%. Queixas dolorosas persistentes ocorrem entre 30% e 100% dos doentes deprimidos.

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Sintomas depressivos intensos afetam 25% de todos os doentes com câncer e cerca de 70% daqueles com doença avançada. Imagina-se que sintomas depressivos, quando não reconhecidos e abordados adequadamente, podem dificultar seriamente o tratamento e levar os doentes a aderirem menos à terapêutica e à obtenção de resultados menos satisfatórios no controle do quadro álgico. Esta pesquisa visa à busca de possíveis associações entre a ocorrência e expressão da dor e aspectos depressivos. 

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Autor: PIMENTA, C. A. M. et al. Dor crônica e depressão: estudo em 92 doentes. Rev.Esc.Enf.USP, v. 34, n. 1, p. 76-83,

mar. 2000.