Dor de Cabeça e as Crianças e Adolecentes

criança dorO ritmo de vida imposto às crianças atualmente é o cenário propício para crises de dor de cabeça. A escola de manhã, a aula de inglês depois do almoço, o futebol ou balé no final da tarde, o uso de aparelhos para corrigir os dentes ainda na primeira infância – a carga de stress é muito grande. Quatro em cada dez meninos e meninas de até 7 anos já se queixaram, ao menos uma vez, de dor de cabeça. A taxa sobe para 75% quando a faixa etária é ampliada para os 17 anos. "A incidência de cefaléia em crianças muito novas, com menos de 7 anos, pode até ser maior do que imaginamos", diz o neurologista Deusvenir de Souza Carvalho, chefe do setor de cefaléia da Universidade Federal de São Paulo. "Isso porque crianças muito pequenas têm dificuldade para verbalizar o que estão sentindo."

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Ao contrário do que se acredita, crianças têm, sim, enxaqueca. Estima-se que até 10% delas, entre os 7 e os 15 anos, sofram do problema. As formas de manifestação do distúrbio entre os pequenos são diferentes das dos adultos. A dor aparece na fronte (e não na fronte e têmpora), tende a ser bilateral (e não de um lado só da cabeça) e tem intensidade moderada (raramente forte). Além disso, as crises duram menos tempo. Geralmente, não ultrapassam uma hora. Já as disfunções do sistema nervoso autônomo causadas pela enxaqueca tendem a ser mais severas em crianças. Elas ficam mais pálidas, sentem mais náuseas, vomitam com mais freqüência e têm maior sensibilidade a luz, sons ou cheiros. "Uma das explicações para a maior intensidade desses fatores é o fato de que, como o cérebro das crianças ainda não está amadurecido, os seus mecanismos de defesa são mais precários", diz Carvalho. Essas alterações físicas funcionam como um bom indicativo para os pais. Como as crises costumam ser curtas, a primeira opção para o tratamento da dor de cabeça infantil é o repouso, pura e simplesmente. "Crianças que apresentem no máximo duas crises de enxaqueca por semana, mas que não têm suas atividades prejudicadas por elas, não devem ser submetidas a tratamentos preventivos", diz o neurologista Abouch Krymchantowski, do Rio de Janeiro. Se as crises são incapacitantes e exigem o uso freqüente de analgésicos, é o caso de partir para a prevenção.

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Cerca de 40% das crianças que apresentam enxaqueca antes dos 10 anos ficam livres dela quando entram na adolescência. O restante carregará o problema pelo resto da vida, a menos que se trate adequadamente da doença. A adolescência é uma fase marcante para quem sofre de enxaqueca, sobretudo para as meninas. Nessa época, a produção de estrógeno, o principal hormônio feminino, atinge o seu ápice. A substância aumenta a sensibilidade dos centros nervosos responsáveis pela dor. É isso que leva a que mulheres sofram mais de enxaqueca do que homens.

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Fonte: Revista Veja - Edição 1809